Você tem uma cirurgia marcada e o médico pediu uma "avaliação pré-operatória". Mas o que isso significa na prática? Quais exames são necessários? Você realmente precisa de todos eles? Muitos pacientes chegam a esse momento sem entender o que está sendo avaliado — e alguns até pulam essa etapa por acharem que é burocracia. É um erro que pode custar caro.
O que é a avaliação pré-operatória?
A avaliação pré-operatória é uma consulta médica realizada antes de qualquer procedimento cirúrgico com o objetivo de identificar riscos, otimizar o estado de saúde do paciente e garantir as melhores condições de segurança para a anestesia e a cirurgia.
Ela não é uma formalidade burocrática — é uma etapa clínica com respaldo em evidências científicas sólidas. A Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) de 2024 reforça que a avaliação adequada reduz significativamente a incidência de eventos cardiovasculares graves no período pós-operatório, como infarto, arritmias e insuficiência cardíaca.
A avaliação se apoia em quatro pilares principais:
- Anamnese e exame físico — a história clínica completa é o instrumento mais valioso
- Exames complementares — laboratório, imagem e eletrocardiograma, conforme o perfil do paciente
- Revisão de medicamentos — identificar o que deve ser mantido, suspenso ou ajustado
- Estratificação do risco cirúrgico-anestésico — classificar o grau de risco para orientar condutas
Quem precisa fazer a avaliação pré-operatória?
A resposta simples: qualquer pessoa que vá se submeter a uma cirurgia, seja ela eletiva (programada) ou de urgência. Isso inclui procedimentos ambulatoriais menores, como pequenas cirurgias dermatológicas, até cirurgias complexas de grande porte.
A profundidade da avaliação varia conforme três fatores:
- O tipo de cirurgia — cirurgias cardíacas, vasculares e intraperitoneais têm risco cardiovascular mais alto do que procedimentos superficiais
- A idade e as condições de saúde do paciente — pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade, histórico de infarto ou insuficiência cardíaca exigem avaliação mais detalhada
- A capacidade funcional — segundo a SBC 2024, pacientes que não conseguem subir dois lances de escada sem desconforto (menos de 4 METs de capacidade funcional) têm risco perioperatório significativamente maior

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Agendar consultaQuais exames são solicitados?
Não existe uma lista universal de exames pré-operatórios. A solicitação deve ser individualizada — baseada no perfil clínico do paciente e no tipo de cirurgia, não em protocolos genéricos de idade. A prática de solicitar "exames de rotina" para todos os pacientes, independentemente da história clínica, é considerada inadequada pelas diretrizes brasileiras atuais.
Dito isso, os exames mais frequentemente indicados são:
Laboratório:
- Hemograma completo — avalia anemia, infecções e distúrbios plaquetários
- Creatinina e ureia — função renal
- Glicemia — controle metabólico, especialmente em diabéticos
- Coagulograma (TP/TTPA) — avaliação da coagulação, obrigatório em cirurgias com risco de sangramento significativo
- Eletrólitos (sódio e potássio) — especialmente em pacientes que usam diuréticos ou têm doenças renais
Imagem e eletrofisiologia:
- Eletrocardiograma (ECG) — indicado a partir dos 40 anos ou em qualquer idade com sintomas ou fatores de risco cardiovascular
- Radiografia de tórax — indicada em pacientes com doença pulmonar conhecida, tabagismo significativo ou sinais clínicos sugestivos
- Ecocardiograma — solicitado quando o ECG ou o exame clínico levantam suspeita de disfunção cardíaca; a SBC 2024 destaca seu papel fundamental nas decisões pré-operatórias por oferecer avaliação morfofuncional ampla
Quando outros exames são necessários:
- Teste ergométrico ou cintilografia miocárdica — em pacientes com suspeita de doença arterial coronariana
- Avaliação de fragilidade — a SBC 2024 inclui a avaliação de fragilidade como componente essencial em pacientes idosos, dado que pacientes frágeis têm risco elevado de delirium, insuficiência renal e infarto no pós-operatório
Medicamentos: o que manter e o que suspender?
A revisão de medicamentos é uma das partes mais críticas — e mais subestimadas — da avaliação pré-operatória. Alguns pontos importantes:
- Anti-hipertensivos: em geral são mantidos até o dia da cirurgia, exceto diuréticos (que podem ser suspensos na véspera para evitar desequilíbrio eletrolítico)
- Anticoagulantes e antiagregantes plaquetários (AAS, clopidogrel, warfarina): requerem planejamento cuidadoso — suspensão prematura pode causar eventos trombóticos, suspensão tardia aumenta risco de sangramento
- Hipoglicemiantes orais e insulina: ajuste de dose no dia anterior e no dia da cirurgia, com orientação específica do médico
- Medicamentos à base de ervas e suplementos: muitos interferem na anestesia ou na coagulação — devem ser relatados e geralmente suspensos 7 a 14 dias antes

Como funciona a avaliação pré-operatória na Clini+
A boa notícia para quem tem uma cirurgia programada é que a avaliação pré-operatória pode ser iniciada por teleconsulta — sem precisar sair de casa para a primeira etapa. Na Clini+, você agenda uma consulta com cardiologista que realiza a anamnese completa, revisa seus exames já disponíveis e orienta exatamente quais exames complementares são necessários para o seu caso.
O médico emite o laudo de avaliação pré-operatória com a estratificação de risco e as recomendações para a equipe cirúrgica e anestesiológica. A telemedicina no Brasil é regulamentada pela Resolução CFM 2.314/2022, garantindo validade legal e ética para essa avaliação por videoconferência.
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Agendar consultaPerguntas frequentes sobre avaliação pré-operatória
Com quanto tempo de antecedência devo fazer a avaliação? O ideal é realizar entre 30 e 7 dias antes da cirurgia. Isso dá tempo para identificar e tratar condições que precisam ser otimizadas antes do procedimento — como hipertensão descontrolada, anemia ou glicemia elevada — sem cancelar a data cirúrgica.
E se eu for saudável e jovem? Ainda preciso? Sim. Mesmo pacientes jovens e aparentemente saudáveis podem ter condições não diagnosticadas que aumentam o risco anestésico. Além disso, a avaliação documenta o estado basal do paciente, o que é importante para o acompanhamento pós-operatório.
A cirurgia pode ser cancelada por conta da avaliação? Pode ser adiada — não cancelada. Se a avaliação identificar uma condição que aumenta o risco de forma significativa, o médico pode recomendar otimizar o tratamento antes de operar. Isso é segurança, não obstáculo.
Conclusão
A avaliação pré-operatória é um investimento em segurança. Ela protege você de complicações que podem ser evitadas e coloca a equipe médica em posição de agir com mais precisão durante e após a cirurgia. Baseada na Diretriz SBC 2024, a avaliação cardiovascular perioperatória é hoje um dos pilares mais robustos da medicina pré-cirúrgica no Brasil.
Se você tem uma cirurgia próxima e ainda não fez sua avaliação, não deixe para a última hora. A Clini+ facilita esse processo com teleconsulta ágil, médicos qualificados e toda a documentação necessária para sua equipe cirúrgica.
Artigo elaborado com base na Diretriz de Avaliação Cardiovascular Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) – 2024 e nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). As informações têm caráter educativo e não substituem a avaliação médica individualizada.
