Clini+
Síndrome dos ovários policísticos (SOP): sintomas, diagnóstico e tratamento
Endocrinologia

Síndrome dos ovários policísticos (SOP): sintomas, diagnóstico e tratamento

Ciclo irregular, acne no queixo, pelos a mais e dificuldade para emagrecer podem ser SOP. Veja como funcionam os critérios de Rotterdam, quais exames pedir, a ligação com a resistência à insulina e por que o endocrinologista entra no acompanhamento.

Resposta rápida

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um distúrbio hormonal que afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade fértil. Os sintomas mais comuns são ciclo menstrual irregular, acne, excesso de pelos, queda de cabelo e ganho de peso. O diagnóstico usa os critérios de Rotterdam: dois de três achados, depois de descartar outras causas. Não tem cura definitiva, mas o tratamento controla bem os sintomas e os riscos metabólicos.

7 min de leitura
Dr. Richard Ramos

Escrito por Dr. Richard Ramos

CRM/SP 224667 | RQE 149697

Cardiologista

Compartilhar artigo

Gostou do conteúdo? Agende uma consulta online com um especialista da Clini+ e receba orientação personalizada.

Agendar

A menstruação some por dois meses e volta sem aviso. As espinhas no queixo não melhoram com nenhum produto, aparecem pelos no rosto e a balança sobe mesmo sem mudar a alimentação. Muitas mulheres passam anos tratando cada sinal separadamente, sem saber que todos podem ter a mesma origem: a síndrome dos ovários policísticos, a SOP.

Em resumo:

  • A SOP é um distúrbio hormonal que afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade fértil
  • Sintomas: ciclo irregular, acne, excesso de pelos, queda de cabelo e ganho de peso
  • O diagnóstico usa os critérios de Rotterdam: 2 de 3 achados, após excluir outras causas
  • A resistência à insulina está presente em boa parte dos casos e piora os sintomas
  • Não tem cura definitiva, mas tem controle, e o acompanhamento une ginecologista e endocrinologista

O que é a síndrome dos ovários policísticos e quais são os sintomas

A síndrome dos ovários policísticos é um desequilíbrio entre os hormônios que comandam a ovulação. Os ovários produzem mais androgênios (hormônios masculinos, como a testosterona) do que deveriam, e a ovulação passa a falhar com frequência. Os "cistos" do nome, na verdade, são folículos que começaram a amadurecer e pararam no meio do caminho.

Os sintomas da SOP variam muito de uma mulher para outra. Os mais comuns são:

  • Ciclo menstrual irregular: intervalos menores que 21 dias ou maiores que 35, menos de 8 menstruações por ano ou meses sem menstruar
  • Acne persistente, principalmente no queixo, na mandíbula e no pescoço, que continua depois da adolescência
  • Excesso de pelos (hirsutismo) no buço, queixo, peito, abdome e costas
  • Queda de cabelo no topo da cabeça, com afinamento dos fios (alopecia de padrão feminino)
  • Ganho de peso e acúmulo de gordura na barriga, com dificuldade para emagrecer
  • Manchas escuras no pescoço e nas axilas (acantose nigricans), sinal de insulina alta
  • Dificuldade para engravidar, já que a ovulação é irregular

Nem toda mulher com SOP tem excesso de peso: existe a SOP em mulheres magras, e ela também merece investigação. Acne e queda de cabelo, sozinhas, têm muitas outras causas. Se esse é o seu sinal principal, veja também quando procurar o dermatologista para queda de cabelo.

Critérios de Rotterdam: como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da SOP é clínico e segue os critérios de Rotterdam, adotados pela diretriz internacional de 2023. É preciso ter pelo menos 2 destes 3 achados:

  1. Ovulação irregular ou ausente, que aparece como ciclo irregular
  2. Hiperandrogenismo, clínico (acne, pelos, queda de cabelo) ou no exame de sangue (testosterona alta)
  3. Ovários com aspecto policístico no ultrassom, ou o hormônio antimülleriano (AMH) elevado em adultas

E há uma condição obrigatória: descartar outras doenças que imitam a SOP, como alterações da tireoide, prolactina alta, hiperplasia adrenal congênita e, mais raramente, excesso de cortisol ou tumores produtores de hormônio.

Dois pontos geram muita confusão:

  • Ter ovários com aspecto policístico no ultrassom não é ter SOP. Esse achado é comum em mulheres saudáveis e, sozinho, não fecha diagnóstico
  • Em adolescentes, nos primeiros 8 anos após a primeira menstruação, o ultrassom não entra no diagnóstico, porque ovários com muitos folículos são normais nessa fase

Quais exames investigam a SOP

O médico combina a conversa e o exame da pele com alguns exames de sangue:

  • Testosterona total e, às vezes, SHBG, para calcular o índice de androgênio livre
  • TSH, para descartar alteração da tireoide
  • Prolactina
  • 17-hidroxiprogesterona, para afastar a hiperplasia adrenal congênita
  • Beta-hCG, quando a menstruação está atrasada, para descartar gravidez
  • Glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, em muitos casos, a curva glicêmica (teste de tolerância à glicose)
  • Perfil lipídico e enzimas do fígado

Tubos de coleta de sangue em laboratório, usados nos exames hormonais e metabólicos que investigam a SOP

Quando é útil, o médico também pede o ultrassom transvaginal (ou pélvico, em quem nunca teve relação sexual), que a paciente faz presencialmente em uma clínica de imagem ou laboratório. O anticoncepcional hormonal altera os resultados dos hormônios, por isso o médico orienta se e quando fazer pausa antes dos exames. Nunca suspenda o anticoncepcional por conta própria.

Precisa de uma consulta especializada?

Agende agora com um médico especialista na Clini+. Atendimento online, rápido e seguro.

Agendar consulta

A ligação entre SOP e resistência à insulina

Boa parte das mulheres com síndrome dos ovários policísticos tem resistência à insulina, inclusive muitas que não estão acima do peso. É aqui que o lado metabólico da SOP aparece.

Funciona como um ciclo: a insulina em excesso estimula os ovários a produzirem mais testosterona e reduz a proteína que "segura" esse hormônio no sangue. Resultado: mais androgênio livre, mais acne, mais pelos e ovulação ainda mais irregular. Ao mesmo tempo, a insulina alta favorece o ganho de peso na barriga, que piora a resistência.

Por isso, a SOP não é só uma questão de ciclo menstrual. Ela aumenta o risco de:

  • Pré-diabetes e diabetes tipo 2. Veja o que fazer com o diagnóstico de pré-diabetes
  • Diabetes gestacional e complicações na gravidez
  • Colesterol e triglicerídeos alterados e gordura no fígado
  • Apneia do sono
  • Espessamento do endométrio, quando a mulher fica muito tempo sem menstruar
  • Ansiedade e depressão, mais frequentes em mulheres com SOP

Se você quer entender melhor esse mecanismo, leia o artigo sobre resistência à insulina, sintomas e o exame HOMA-IR.

Como é o tratamento da SOP

O tratamento é montado conforme o objetivo de cada mulher: regular o ciclo, melhorar a pele e os pelos, emagrecer, proteger o metabolismo ou engravidar. Não existe receita única.

Estilo de vida é a base, para todas:

  • Perder de 5% a 10% do peso, quando há excesso, já melhora o ciclo, a ovulação e a resistência à insulina em muitas mulheres
  • Atividade física regular, com pelo menos 150 minutos por semana e treino de força
  • Alimentação com menos açúcar, farinha refinada e ultraprocessados, e mais fibras e proteína
  • Sono e saúde mental, que também mexem com os hormônios

Além disso, conforme a avaliação, o médico pode considerar medicamentos: anticoncepcional hormonal para regular o ciclo e reduzir androgênios, remédios que melhoram a ação da insulina, antiandrogênios para pelos e acne, tratamentos para obesidade ou indutores de ovulação para quem quer engravidar. Cada opção tem indicação, contraindicação e efeitos próprios, e a decisão é sempre individual. Se o peso é o centro do problema, veja as opções de tratamento para obesidade.

Endocrinologista ou ginecologista: quem acompanha a SOP?

Os dois, e o melhor cenário é quando trabalham juntos.

  • O ginecologista cuida do ciclo, da contracepção, do útero e do endométrio e, quando há desejo de gravidez, da fertilidade
  • O endocrinologista confirma que não há outra doença hormonal por trás, investiga e trata a resistência à insulina, a glicose, o colesterol e o peso, e acompanha o risco de diabetes ao longo dos anos

Vale procurar o endocrinologista principalmente se você tem ganho de peso ou dificuldade para emagrecer, glicemia ou glicada alterada, manchas escuras na pele, histórico de diabetes na família ou pelos e acne que não respondem ao tratamento.

Como funciona a consulta de SOP na Clini+

Grande parte do cuidado com a SOP é conversa, histórico do ciclo e leitura de exames, o que se encaixa bem na teleconsulta. Na Clini+, você agenda uma consulta de endocrinologia online, escolhe o profissional e confere o CRM e o RQE no perfil antes de marcar.

Mulher sentada no sofá usando o notebook para agendar uma teleconsulta com endocrinologista

Para aproveitar melhor a consulta, separe:

  • As datas das últimas menstruações (um app de ciclo ajuda)
  • Exames recentes: hormônios, glicemia, glicada, colesterol e ultrassom, se tiver
  • Seu peso e a medida da cintura
  • Fotos da acne, dos pelos ou de manchas na pele, com boa luz
  • A lista de remédios e anticoncepcionais que você usa

Pelo chat, dá para enviar os exames antes do horário. Se faltar algum, o endocrinologista faz o pedido com assinatura digital, e você colhe o sangue ou faz o ultrassom em um laboratório ou clínica perto de casa. Quando o médico indicar, o retorno em até 15 dias para mostrar os resultados já está incluído no valor. Eventual prescrição depende sempre da avaliação do médico.

A consulta custa R$ 179,90 no PIX (R$ 189,90 no cartão), com atendimento para todo o Brasil pelo site clinimais.com ou pelo app. Para entender o passo a passo, veja como funciona a consulta com endocrinologista online.

Precisa de uma consulta especializada?

Agende agora com um médico especialista na Clini+. Atendimento online, rápido e seguro.

Agendar consulta

Conclusão

A síndrome dos ovários policísticos é comum, tem diagnóstico claro pelos critérios de Rotterdam e vai além do ovário: mexe com pele, cabelo, peso e metabolismo. Não tem cura definitiva, mas responde bem a mudanças de hábito e a um tratamento feito sob medida.

Se você se reconheceu nos sintomas da SOP, um endocrinologista da Clini+ pode avaliar seu caso por vídeo e trabalhar junto com a sua ginecologista. Veja outros conteúdos de endocrinologia no blog.


Artigo elaborado com base na Diretriz Internacional Baseada em Evidências para Avaliação e Manejo da Síndrome dos Ovários Policísticos (2023), nas recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e na Resolução CFM nº 2.314/2022, que regulamenta a telemedicina no Brasil. As informações têm caráter educativo e não substituem a avaliação médica individualizada.

Perguntas frequentes

Ovário policístico tem cura?
A síndrome dos ovários policísticos não tem cura definitiva, porque envolve uma tendência hormonal e metabólica que acompanha a mulher. Mas ela tem controle: perder de 5% a 10% do peso, quando há excesso, já regulariza o ciclo em muitas mulheres, e o tratamento médico melhora acne, pelos e fertilidade. Com acompanhamento, a maioria leva uma vida sem sintomas importantes.
SOP é com endocrinologista ou ginecologista?
Os dois podem cuidar da SOP, e o ideal é que trabalhem juntos. O ginecologista acompanha o ciclo, a contracepção, a fertilidade e o útero. O endocrinologista investiga outras causas hormonais e cuida do lado metabólico, como resistência à insulina, peso, glicose e colesterol. Quem tem ganho de peso, glicemia alterada ou histórico de diabetes na família se beneficia muito do endocrinologista.
Posso ter SOP com ultrassom normal?
Sim. Pelos critérios de Rotterdam, o diagnóstico precisa de dois de três achados: ciclo irregular, sinais de excesso de hormônio masculino e ovários com muitos folículos no ultrassom. Uma mulher com ciclo irregular e acne ou pelos em excesso, com outras causas descartadas, pode ter SOP mesmo com ultrassom normal. E ter ovários com aspecto policístico, sozinho, não basta para o diagnóstico.

Pronto para cuidar da sua saúde?

Agende agora uma consulta online com um médico especialista. Atendimento rápido, seguro e acessível.